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Foto: Thiago Rodrigues - Ipea
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Ipea e MIR lançam ferramentas para apoiar gestão antirracista na administração pública

  • Comunicação Ipea

Plataforma INCLUA ganhou página temática sobre igualdade racial, com materiais informativos e assistente de inteligência artificial que auxilia na elaboração de planos de ação

 

Na última segunda-feira (22), o Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) e o Ministério da Igualdade Racial (MIR) lançaram novas ferramentas e funcionalidades da Plataforma INCLUA, com foco na gestão antirracista. Agora, gestores públicos contam com ainda mais recursos gratuitos e de fácil acesso, que podem ser usados na formulação, implementação e avaliação de políticas e serviços, garantindo que não reproduzam desigualdades raciais.

Entre as principais novidades está a página INCLUA Igualdade Racial, que pode ser acessada na aba “Temáticas”. O espaço reúne instrumentos de diagnóstico de riscos de exclusão racial em políticas e serviços públicos, bem como a Coleção Gestão Pública Antirracista, composta por materiais de apoio destinados a gestores e equipes da administração pública. Além disso, conta com a INCLUA.IA, assistente de Inteligência Artificial que tira dúvidas e auxilia na elaboração de planos de ação para uma gestão antirracista, com base nos materiais presentes na plataforma e em experiências anteriores conduzidas por instituições governamentais. 

Durante o evento de lançamento das novas ferramentas, a presidenta do Ipea, Luciana Servo, destacou que a Plataforma INCLUA proporciona aprendizados relevantes para o próprio Instituto. “O Ipea tem mais de 500 publicações sobre desigualdades de gênero e raça. Traduzir essa produção e esse conhecimento sobre políticas públicas em diálogo com os gestores, com a sociedade civil e com a burocracia de rua é algo bastante desafiador. Por meio da INCLUA, temos caminhado cada vez mais para transformar essa pesquisa em ferramentas que sejam importantes e válidas para a gestão pública”, enfatizou.

Luciana acrescentou que, apesar de 56% da população brasileira se declarar como negra, as desigualdades raciais continuam existindo no país. “Se as políticas públicas olham a população como se fosse homogênea, ignorando as discriminações e desigualdades, elas não vão alcançar seus objetivos. Ou olhamos para essa população como verdadeiramente detentora de direitos e de políticas públicas, ou o nosso desenvolvimento sempre vai patinar”, frisou.

Bárbara Souza, secretária-executiva do Ministério da Igualdade Racial, sublinhou que o objetivo é que a INCLUA fortaleça ainda mais a capilarização das políticas de igualdade racial no Brasil e a estruturação dessas políticas nos municípios, nos estados e no governo federal.

“O Ipea é nosso parceiro em muitas entregas, qualificando dados e ajudando a definir os desafios que queremos enfrentar, a forma como organizamos as políticas de igualdade racial no poder público e como damos subsídios e ferramentas para que a sociedade civil possa pautar o poder público nessas agendas. O Instituto também contribui nas parcerias que temos com o IBGE e com a Enap, na parte de formação e qualificação”, disse.

Conforme a diretora de Estudos e Políticas do Estado, das Instituições e da Democracia do Ipea, Luseni Aquino, a INCLUA é um exemplo positivo e uma grande conquista para o Instituto, por materializar a transformação da pesquisa em ferramentas úteis para a gestão. “Torcemos para que esses recursos sejam explorados, debatidos, difundidos e utilizados em toda a sua amplitude, e que isso realmente contribua para que o fazer cotidiano da política pública esteja atento ao risco de reprodução de desigualdades”, afirmou.

Plataforma é orientada pela aplicação prática de conhecimentos 

A INCLUA é uma plataforma virtual de avaliação, diagnóstico e subsídio para a identificação de potenciais riscos de reprodução de desigualdades sociais em processos cotidianos de execução de políticas públicas no Brasil.

As atualizações recentes foram desenvolvidas em parceria entre o Ipea e o MIR, por meio de oficinas conduzidas com gestores, pesquisadores e especialistas. A plataforma é dinâmica e continuará sendo aperfeiçoada, inclusive com as contribuições dos usuários, que podem enviar seus comentários para o endereço de e-mail inclua@ipea.gov.br

O Ipea e o MIR também estão trabalhando no desenvolvimento de ações de assessoramento na área da igualdade racial para estados e municípios, que serão iniciadas nos próximos meses e se estenderão até 2028. 

O técnico de planejamento e pesquisa do Ipea Roberto Pires, coordenador da INCLUA, destacou que todas as políticas públicas, mesmo aquelas que têm como objetivo promover a inclusão ou combater os efeitos da desigualdade, podem contribuir para a produção de desigualdades. “Isso acontece quando uma informação não chega a um determinado território ou grupo populacional ou chega de forma equivocada, assim como pelo uso de formulários que não respeitam a identidade das pessoas, de linguagens pouco acessíveis ou de procedimentos pouco transparentes. São coisas aparentemente miúdas, mas que no dia a dia vão produzindo uma acumulação que leva a essas desigualdades estruturais”, apontou.

As atividades de lançamento de segunda-feira (22) também incluíram debates e mesas-redondas sobre experiências, desafios e iniciativas voltadas ao fortalecimento da gestão pública antirracista no Brasil. Um desses momentos reuniu gestores públicos que participaram de oficinas de capacitação para uso da plataforma INCLUA promovidas pelo Ipea e pelo MIR e posteriormente fizeram uso da ferramenta nas instituições onde atuam.

Gisele dos Santos, gestora de igualdade racial da Prefeitura de Campo Grande, contou que utilizou a INCLUA para realizar um diagnóstico de avaliação da capacitação dos servidores do Centro de Referência de Assistência Social (CRAS) em letramento racial. “A experiência com a INCLUA foi muito fácil porque a interface dela é bem simples e intuitiva. Fizemos o diagnóstico, identificamos os riscos de exclusão e a plataforma nos ajudou a formular um plano de ação. Eu considero a utilização da INCLUA mais um avanço na questão das políticas de igualdade racial no município de Campo Grande e uma ferramenta muito importante para a avaliação e diagnóstico das políticas na gestão antirracista”, realçou.